Diabetes e Low Carb: O que a Ciência nos mostra!

Diabetes mellitus. Doença que acomete mais de 400 milhões de pessoas no mundo. Uma epidemia.

No meio científico, muito tem se discutido sobre o tratamento desta doença. Fármacos diversos são comercializados com intuito de melhorar produção de insulina ou efetivar suas funções, mas pouco é divulgado sobre uma abordagem nutricional relativamente antiga: a abordagem low carb, ou seja, de baixo carboidrato.

Este artigo tem como objetivo reunir referências atuais que embasam a aplicabilidade desta estratégia nutricional na prevenção e no tratamento da Diabetes, principalmente tipo 2.

Diabetes: Fisiopatologia

Antes de falar sobre as estratégias alimentares no tratamento da diabetes, é preciso estabelecer a fisiopatologia da doença.

A diabetes reúne um conjunto de fatores e tipos, além de sintomas específicos e graus de gravidade. Falaremos agora sobre cada um deles.

O que é Diabetes?

Diabetes é uma doença que ocorre quando a glicemia, ou açúcar no sangue, está elevado. Este açúcar é a fonte primordial de energia.

A glicemia está elevada devido a incapacidade ou insuficiência de um hormônio produzido pelo pâncreas, chamado insulina. Este hormônio, dentre outras de suas funções, é capaz de fazer com que a glicose entre nas células para que sejam usadas como energia. Quando há insuficiência ou incapacidade da insulina cumprir este papel, a glicose fica circulante no sangue.

Com o passar do tempo, esta glicemia elevada e não tratada ocasiona em uma série de problemas como: hipertensão, doenças renais, problemas cardiovasculares e até mesmo doenças degenerativas.

Tipos de Diabetes

Como citado anteriormente, a diabetes tem diferentes tipos. Neste artigo falaremos sobre os tipos mais comuns.

Diabetes Mellitus Tipo 1

Na diabetes tipo 1 o pâncreas já não produz mais insulina. Células beta-pancreáticas são destruídas pelo próprio sistema imune e se tornam incapaz de produzir o hormônio.

Normalmente este tipo de diabetes é diagnosticado precocemente, ainda na infância ou juventude, porém pode aparecer em qualquer fase da vida.

Pessoas com este tipo de insulina precisam ministrar doses do hormônio de forma exógena, ou seja, através de aplicação com seringas.

Diabetes Mellitus Tipo 2

Este tipo de diabetes é caracterizada pela produção insuficiência ou incapacidade da insulina cumprir o seu papel principal de colocar a glicose dentro das células.

Este é o tipo mais frequente da diabetes e pode ser desencadeada em qualquer idade. O perfil mais comum de pessoas com este tipo de diabetes é o de pessoas sobrepeso ou obesas.

As causas mais comuns deste tipo da doença, além do excesso de peso, é o sedentarismo e a má alimentação.

Diabetes Gestacional

A diabetes gestacional, assim como o nome sugere, é desenvolvida em mulheres ainda na gravidez. Em muitos casos, há remissão total da doença quando o bebê nasce.

Porém, mulheres que obtiveram diabetes gestacional têm maior risco de desenvolver o tipo 2 da doença durante a vida.

Na maioria dos casos, a fisiopatologia é semelhante a diabetes 2.

Sintomas da Diabetes

Os sintomas da diabetes tipo 1 podem aparecer rapidamente, em questão de semanas. Já os sintomas da diabetes tipo 2 são mais lentos e difíceis de serem identificados inicialmente.

Muitas pessoas com diabetes tipo 2 não sabem que possuem a doença devido a ausência de sintomas.

Abaixo, listaremos os sintomas mais comuns em ambos os tipos da doença:

  • Polidpsia;
  • Fome excessiva;
  • Poliúria;
  • Fadiga;
  • Visão embaçada;
  •  Má cicatrização;

Elliot P. Joslin

Para falar sobre tratamento baseado em evidências científicas, primeiramente, é preciso apresentar-lhes este nome. Elliot P. Joslin foi o primeiro médico nos Estados Unidos a se especializar em diabetes. Ele foi o primeiro a defender que os pacientes deveriam tratar de sua própria doença e o pioneiro em orientar que níveis de glicose deveriam ser mantidos o mais próximo do normal.

Joslin fundou o maior centro de pesquisa e tratamento de diabetes no mundo, o Joslin Diabetes Center em Boston, Massachusetts.

Desde 2005 a clínica tem recomendado a redução de 40-45% do consumo diário de carboidratos e evitar alimentos de alto índice glicêmico. Estas diretrizes de 2005 foram revisadas em 2011 e seguem sendo recomendadas por serem a melhor maneira de prevenir ou tratar obesidade e diabetes tipo 2.

Evidências Científicas

Muitos estudos de alto nível de evidência científica já comprovam a não relação de consumo de gorduras com aumento do colesterol e consequentemente risco cardiovascular. Isto também se aplica em diabéticos. Um estudo prospectivo e randomizado mostra que uma dieta de baixo carboidrato reduz a necessidade de medicação e ainda melhora fatores de risco cardiovascular em diabéticos quando comparada a uma dieta de baixa gordura. (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3390696/)

Um artigo de revisão afirma que a abordagem low carb é uma opção viável para reversão da diabetes tipo 2, riscos cardiovasculares e obesidade. (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21586415)

Este estudo prospectivo e randomizado com 2 anos de duração, mostrou que uma dieta de baixo carboidrato foi superior a uma dieta de baixa gordura na redução de fatores de risco cardiovascular. (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2949959/)

Este artigo de revisão sobre estratégias dietéticas para pacientes com diabetes tipo 2, concluiu que dietas de baixa gordura são as piores no tratamento de diabetes. (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20115931)

Este estudo mostrou os efeitos benéficos de uma dieta de baixo carboidrato em diabéticos tipo 2 descompensados. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2690585/)

Mais um ensaio clínico prospectivo e randomizado, desta vez publicado no New England Journal of Medicine mostrou que qualquer abordagem é melhor do que a redução drástica de gorduras da dieta em obesos e/ou diabéticos e ainda mostrou que a hemoglobina glicada baixou significantemente no grupo de baixo carboidrato em comparação com os outros. (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa0708681#t=articleTop)

Quanto à remissão, um ensaio clínico randomizado mostrou 100% de remissão de pré-diabetes com dieta baixa em carboidratos e aumentada em proteínas. Este estudo, publicado em outubro de 2016 e realizado pela Universidade do Tennessee reuniu apenas 24 pessoas. Porém, sua metodologia estava totalmente de acordo com o que a medicina baseada em evidências preconiza. Toda a alimentação foi fornecida para este grupo de pessoas que foram randomizadas (sorteadas) em grupos, para garantir que de fato estariam consumindo as dietas selecionadas. (http://drc.bmj.com/content/4/1/e000258)

Ainda sobre a remissão, desta vez de diabetes tipo 2. Um estudo piloto, também prospectivo e randomizado, feito com diabéticos tipo 2 sorteados para uma dieta baixa em gordura, restrita em calorias e moderada em carboidratos contra uma dieta de baixo carboidrato sem restrição calórica.

O estudo mostrou que 44% dos diabéticos do grupo que consumiram baixo carboidrato e sem restrição calórica puderam suspender suas medicações. Já o outro grupo, apenas 11% pôde obter o este resultado. Concluiu-se então que as chances de reversão da diabetes com dieta de baixo carboidrato e sem restrição calórica é maior, comparando a uma dieta restritiva em calorias. (http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0091027)

As evidências são muitas e devem ser levadas em consideração no manejo da doença. Assim, podemos oferecer aos pacientes o melhor tratamento possível para reversão ou diminuição de risco de complicações da diabetes.

É importante ressaltar que infelizmente as diretrizes brasileiras de Diabetes ainda não se atualizaram de acordo com o que mostra a ciência.

Mais referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1188071/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15767618

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15380496

http://diabetes.diabetesjournals.org/content/53/9/2375.long

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15331203

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