Níveis de Evidência Científica

O INEODOC é um instituto que tem responsabilidade também com a informação de qualidade. Nesta área você terá acesso a conteúdo de total alinhamento com evidências científicas de alto nível.

Por isso, para começarmos, é preciso estabelecer o que são evidências científicas e quais são elas, e ainda mais importante: qual é o peso de cada uma delas.

As evidências científicas não são todas iguais, cada um tem seu peso e nível. Com objetivo de tornar a prática médica mais científica, foi criada a Medicina Baseada em Evidências (MBE).

A MBE é o elo entre a boa pesquisa científica e a prática clínica. Utilizam-se provas científicas existentes e disponíveis de boa validade para a aplicação de seus resultados.

Quando abordamos sobre um tratamento e incluímos evidências como referência, referimo-nos aos seguintes pilares:

  • Efetividade
  • Eficiência
  • Eficácia
  • Segurança

A efetividade se refere ao tratamento que funciona em condições do mundo real. A eficiência se refere ao tratamento barato e acessível para que os pacientes possam dele usufruir. A eficácia se refere a quando o tratamento funciona em condições de mundo real. E por último, a segurança que significa que uma intervenção possui características confiáveis que tornam improváveis ou mínimas a ocorrência de efeitos adversos para o paciente.

Não é simples iniciar uma MBE. O processo inicia-se através de um questionamento, a formulação de uma questão clínica de interesse. Este é o primeiro passo para dar início a uma pesquisa e é de suma importância pois é ele que diminui possibilidade de ocorrer erros sistemáticos, os chamados vieses no decorrer da elaboração, planejamento, análise estatística e conclusão do projeto.

Um bom questionamento científico consiste em quatro itens fundamentais:

  • Situação clínica
  • Intervenção
  • Grupo-controle
  • Desfecho clínico

A necessidade de utilizar boas evidências na prática clínica é primordial para o desenvolvimento científico e para aumentar a qualidade no atendimento aos pacientes.

Agora que introduzimos conceitos básicos da medicina baseada em ciência, podemos estabelecer os tipos de estudos existentes e os níveis de evidências científicas.

Como dito anteriormente, há estudos com impactos diferentes, o que é caracterizado por uma hierarquia. Para simplificar, é esta hierarquia é que mede o nível de confiabilidade de um estudo. Vale ressaltar que é de extrema importância que todos os profissionais tenham consciência desta hierarquia e saiba identifica-las ao utilizar estudos para justificar suas práticas clínicas.

Abaixo, falaremos sobre cada tipo de estudo e seu peso científico.

Opinião de Especialista ou Opinião Pessoal

Este é de fato o nível mais baixo de evidência, se colocarmos como um tipo de estudo. Porém na verdade, não se trata de um tipo de estudo e nem podemos chama-lo de evidência científica.

Opinião de profissionais, especialistas, mesmo que seja um profissional com um vasto currículo e títulos acadêmicos, é caracterizada por opinião pessoal.

Não tem nenhum peso científico.

Porém, quando não há nenhum dado sequer sobre o assunto na literatura, aceita-se a opinião de um profissional especialista como uma evidência provisória.

Relato de Caso

Trata-se de uma série de casos com objetivo de extrair dados estatísticos sobre determinada doença ou circunstância. Ou seja, não tem poder afirmativo, serve apenas levantamento de dados, como por exemplo, a idade média e sexo de pessoas com determinado tipo de doença.

Podemos dizer que é de cunho meramente informativo. Segundo a classificação de níveis de evidência científica de Oxford, trata-se de um padrão de referência pobre ou não independente.

Estudos de Caso-controle

Em seguida, na escala crescente de níveis de evidência, temos os estudos de caso-controle. Este é caracterizado por um estudo aplicado em um grupo de pessoas e o pesquisador compara com outro grupo de pessoas que não tenham a doença.

Segundo a tabela de classificação de Oxford, é um padrão de referência aplicado de forma pouco consistente.

Estudos ecológicos

Comparam populações com diferentes características. Ou seja, focaliza na comparação de grupos ou população de uma área geográfica definida.

Estudos de Coorte

Neste tipo de estudo, se obtém dados através de questionários e exames, de um grande número de pessoas, e os acompanha por vários anos com o intuito de identificar quem desenvolve doenças, de forma a identificar possível fatores de risco no passado.

Ensaio clínico randomizado

Este é o padrão-ouro de evidência em medicina. Esta metodologia consiste em randomizar um grande número de pessoas, ou seja, sorteá-las de forma aleatória para dois ou mais grupos. Em geral, um grupo é submetido a intervenção em questão, seja ela um medicamento, dieta ou um único alimento e o outro grupo é chamado de grupo-controle, fica isento da intervenção.

Este sorteio garante que os grupos sejam semelhantes em tudo, exceto na intervenção testada. Este estudo é o único capaz de sugerir relações de causa e efeito.

Revisão Sistemática de Ensaios Clínicos Randomizados

Por fim, o mais alto nível de evidência científica, chamado de nível 1A segundo a classificação do Oxford Centre for Evidence-Based Medicine.

Esta metodologia consiste em reunir e revisar sistematicamente ensaios clínicos randomizados a fim de reduzir possibilidades de erros estatísticos. Assim, esta revisão ou metanálise, combina matematicamente todos os dados de ensaios clínicos de um mesmo tema. Isto a confere um peso superior a qualquer outro nível de evidência científica.

Temos muitos estudos de alto nível de evidência em bases de dados como PubMed que comprovam os benefícios de uma dieta de baixo carboidratos no tratamento da diabetes e da obesidade. Temos muitas metanálises que comprovam a não relação de consumo de gorduras saturadas com o risco de doença cardiovascular.

Veremos mais sobre isto nos próximos artigos.

Portanto, é importante que o profissional da saúde tenha um olhar crítico e conhecimento técnico para saber diferenciar fontes e referências científicas. Saber diferenciar o peso de cada uma e basear-se em referências de maior peso é o primeiro passo para aplicar o tratamento em pacientes de maneira eficaz.

Referências e Sugestões de Leitura:

http://portal2.saude.gov.br/rebrats/visao/estudo/recomendacao.pdf

http://www.cebm.net/evidence-based-medicine-clinical-years/

http://www.cebm.net/ocebm-levels-of-evidence/

http://www.scielo.br/pdf/jvb/v6n1/v6n1a01.pdf

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